Discutimos
em sala o texto: Refletindo sobre as produções culturais das crianças pequenas
nas instituições de Educação Infantil de Altino José Martins Filho e destacamos
como ideias principais: o paradigma conteudista das instituições de ensino,
cultura ou culturas infantis e a relação das culturas infantis com a cultura
geral __ as instituições de ensino como ambiente privilegiado de interação.
Um
paradigma comum nas instituições de ensino de educação infantil é a valorização
de uma tradição conteudista, preocupada com os conteúdos que deverão ser
trabalhados com a criança, isto é o conhecimento já institucionalizado que
deverá ser repassado às mesmas em detrimento de um conhecimento criado com e
junto às crianças. Não existe uma preocupação em conhecer as crianças com as
quais nos relacionamos, em identificar suas manifestações culturais. É inegável
que os conteúdos a serem desenvolvidos com a criança sejam relevantes, porém é
preciso lembrar que a criança não é apenas um ser cognitivo, existem outras
questões a serem consideradas. É importante considerar a criança e como ela
interage com as outras crianças com as quais convive. Como funcionam essas
relações. Compreender de fato o universo infantil e romper com a pedagogia
escolar enraizada nas instituições de ensino. Ainda que a criança deva sim ser
orientada, não podemos perder de vista que é um ser cônscio e capaz de consumir
e produzir cultura numa profunda interação com o meio.
Compreendendo-se
as crianças como atores sociais ativos e não mais como sujeitos incompletos ou
como complementos a sociedade adulta, implica reconhecer sua capacidade de
produção simbólica, constituição de manifestações, representações e crenças em
sistemas organizados, ou seja, em culturas. Sarmento e Pinto (1997) questionam
se as culturas das crianças são um sistema de construção de conhecimento e
apreensão do mundo especifico delas e, portanto diferente dos adultos, e se é
possível falar em autonomia das culturas infantis. Entretanto como sabemos a
infância caracteriza-se por sua não universalidade, o mundo infantil é
profundamente heterogêneo, existindo uma pluralidade de sistema de valores, de
crenças e representações sociais das crianças, por isso defendem a ideia da
existência não de uma cultura da infância, mas sim uma pluralidade de sistemas
simbólicos, ou seja, culturas das crianças ou culturas infantis.
Os
autores citados ainda enfatizam a controvérsia sobre a questão da autonomia
infantil, não mais se as crianças produzem significações autônomas e sim se
essas significações se se estruturam e consolidam-se em culturas da infância.
As culturas da infância possuem ainda dimensões relacionais, ou seja, relações
entre seus pares e com os adultos. As crianças exprimem a cultura social a qual
estão inseridas, mas de forma especificamente infantil de representação e
simbolização do mundo, leia-se aqui infantil como característico da infância e
não como algo menor ou inferior, as culturas da infância relacionam-se com a
cultura vigente de forma toda própria e característica. É preciso enfatizar que
as crianças vivem em uma sociedade que produz culturas, convivendo e
interagindo com suas várias facetas, uma cultura geral podemos dizer, e também
são produtoras de elementos culturais próprios (específicos da infância) quando
percebemos sua forma de se relacionar com a cultura representada pelo adulto.
As culturas infantis não nascem no universo simbólico exclusivo da infância até
porque tal universo não é fechado antes é extremamente permeável; nem são
alheias a reflexibilidade social global. Os grupos infantis não produzem
cultura no vácuo social, bem como não tem uma autonomia completa nesse processo
de socialização. Dentro dessa visão a instituição educacional passa a ser o
“espaço privilegiado” das sociabilidades humanas, espaços para produção, de equilíbrio
e conflito. É importante entender que não e pretende departamentalizar a
produção cultural das crianças, num sentido de oposição ou dicotomização entre
adultos e crianças. Não se pretende isolar a criança, desprezando sua interação
com o meio social em que está instalado, não afirmamos que existem culturas
infantis separadas do mundo cultural dos adultos, mas entender o que está
presente na relação entre crianças.
Percebemos,
portanto a necessidade de compreender e valorizar as culturas infantis e
propiciar que a instituição de ensino de fato seja esse ambiente privilegiado
de troca e interação cultural, entre as diferentes culturas infantis e a
cultura geral adulta numa relação de repeito mútuo.
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