quinta-feira, 22 de maio de 2014

A criança e as instituições de Educação Infantil

Discutimos em sala o texto: Refletindo sobre as produções culturais das crianças pequenas nas instituições de Educação Infantil de Altino José Martins Filho e destacamos como ideias principais: o paradigma conteudista das instituições de ensino, cultura ou culturas infantis e a relação das culturas infantis com a cultura geral __ as instituições de ensino como ambiente privilegiado de interação.
Um paradigma comum nas instituições de ensino de educação infantil é a valorização de uma tradição conteudista, preocupada com os conteúdos que deverão ser trabalhados com a criança, isto é o conhecimento já institucionalizado que deverá ser repassado às mesmas em detrimento de um conhecimento criado com e junto às crianças. Não existe uma preocupação em conhecer as crianças com as quais nos relacionamos, em identificar suas manifestações culturais. É inegável que os conteúdos a serem desenvolvidos com a criança sejam relevantes, porém é preciso lembrar que a criança não é apenas um ser cognitivo, existem outras questões a serem consideradas. É importante considerar a criança e como ela interage com as outras crianças com as quais convive. Como funcionam essas relações. Compreender de fato o universo infantil e romper com a pedagogia escolar enraizada nas instituições de ensino. Ainda que a criança deva sim ser orientada, não podemos perder de vista que é um ser cônscio e capaz de consumir e produzir cultura numa profunda interação com o meio.
Compreendendo-se as crianças como atores sociais ativos e não mais como sujeitos incompletos ou como complementos a sociedade adulta, implica reconhecer sua capacidade de produção simbólica, constituição de manifestações, representações e crenças em sistemas organizados, ou seja, em culturas. Sarmento e Pinto (1997) questionam se as culturas das crianças são um sistema de construção de conhecimento e apreensão do mundo especifico delas e, portanto diferente dos adultos, e se é possível falar em autonomia das culturas infantis. Entretanto como sabemos a infância caracteriza-se por sua não universalidade, o mundo infantil é profundamente heterogêneo, existindo uma pluralidade de sistema de valores, de crenças e representações sociais das crianças, por isso defendem a ideia da existência não de uma cultura da infância, mas sim uma pluralidade de sistemas simbólicos, ou seja, culturas das crianças ou culturas infantis.
Os autores citados ainda enfatizam a controvérsia sobre a questão da autonomia infantil, não mais se as crianças produzem significações autônomas e sim se essas significações se se estruturam e consolidam-se em culturas da infância. As culturas da infância possuem ainda dimensões relacionais, ou seja, relações entre seus pares e com os adultos. As crianças exprimem a cultura social a qual estão inseridas, mas de forma especificamente infantil de representação e simbolização do mundo, leia-se aqui infantil como característico da infância e não como algo menor ou inferior, as culturas da infância relacionam-se com a cultura vigente de forma toda própria e característica. É preciso enfatizar que as crianças vivem em uma sociedade que produz culturas, convivendo e interagindo com suas várias facetas, uma cultura geral podemos dizer, e também são produtoras de elementos culturais próprios (específicos da infância) quando percebemos sua forma de se relacionar com a cultura representada pelo adulto. As culturas infantis não nascem no universo simbólico exclusivo da infância até porque tal universo não é fechado antes é extremamente permeável; nem são alheias a reflexibilidade social global. Os grupos infantis não produzem cultura no vácuo social, bem como não tem uma autonomia completa nesse processo de socialização. Dentro dessa visão a instituição educacional passa a ser o “espaço privilegiado” das sociabilidades humanas, espaços para produção, de equilíbrio e conflito. É importante entender que não e pretende departamentalizar a produção cultural das crianças, num sentido de oposição ou dicotomização entre adultos e crianças. Não se pretende isolar a criança, desprezando sua interação com o meio social em que está instalado, não afirmamos que existem culturas infantis separadas do mundo cultural dos adultos, mas entender o que está presente na relação entre crianças.
Percebemos, portanto a necessidade de compreender e valorizar as culturas infantis e propiciar que a instituição de ensino de fato seja esse ambiente privilegiado de troca e interação cultural, entre as diferentes culturas infantis e a cultura geral adulta numa relação de repeito mútuo. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário