segunda-feira, 2 de junho de 2014

O fraseador - Manoel de Barros

Recebi via email da sempre querida Eliana Atihé! Vale muito a pena conferir.
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O fraseador

Manoel  de Barros

“Hoje eu completei oitenta e cinco anos. O poeta nasceu de treze. Naquela ocasião escrevi uma carta aos meus pais, que moravam na fazenda, contando que eu já decidira o que queria ser no meu futuro.  Que eu não queria ser doutor.  Nem doutor de curar nem doutor de fazer casa nem doutor de medir terras.  Que eu queria  era ser fraseador. Meu pai ficou meio vago ao ler a carta. Minha mãe me inclinou a cabeça.  Eu queria ser fraseador não doutor. Então, o meu irmão mais velho perguntou: Mas esse tal  fraseador bota mantimento em casa? Eu não queria ser doutor, eu só queria ser fraseador. Meu irmão  insistiu. Mas se fraseador não bota mantimento em casa, nós temos de botar uma enxada na mão desse menino pra ele deixar de variar. A mãe baixou a cabeça um pouco mais.  O pai continuou meio vago.  Mas não botou enxada.”

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Visita a Biblioteca Hans Christian Andersen


Poderíamos começar a falar desta biblioteca como aquela que foi a primeira da história na região leste da capital paulista ou de seu prédio com mais de 60 anos que mantém grande parte de sua originalidade, sem contar no espaço verde em torno do local. Mas de nada valeria, pois ela é mais do que isso! Trata-se de um balsamo aos olhos cansados do tom monocramático em escala de cinza que a capital oferece.

Fonte: http://gazetavirtual.com.br/wp-content/uploads/2012/10/BibliotecaHansCristianAndersen-carol.jpg

Falar da biblioteca temática é um prazer sem igual, pois trata-se de um espaço que pulsa criatividade e cultura para crianças, onde no local e os móveis seguem uma tendência Montessoriano para que os pequenos frequentadores possam não apenas preencher os espaços, mas também se apoderar dele. E na ocasião da visita presenciamos uma tarde contação de histórias e mediação de leitura literária feita pelos funcionários da própria biblioteca.

Fonte: http://bibliotecacontosdefadas.files.wordpress.com/2011/04/dsc00857.jpg



Na biblioteca também é fornecido para a comunidade local e educadores de todos os lugares um curso de contação de histórias com renomados profissionais da área entre eles Simone Grande, Betinho Sodré, Ana Luiza Lacombe, Giba Pedroza e o escritor Ilan Brenman.

Fonte: http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/upload/ProgramacaoHans_1338389083.jpg

Biblioteca Hans Christian Andersen
Endereço: Avenida Celso Garcia – Tatuapé, São Paulo, 03064-000
Telefone:(11) 2295-3447


Site: http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/bibliotecas/bibliotecas_bairro/bibliotecas_a_l/hanschristianandersen/index.php?p=150

Blog: http://bibliotecacontosdefadas.wordpress.com/

A criança e as instituições de Educação Infantil

Discutimos em sala o texto: Refletindo sobre as produções culturais das crianças pequenas nas instituições de Educação Infantil de Altino José Martins Filho e destacamos como ideias principais: o paradigma conteudista das instituições de ensino, cultura ou culturas infantis e a relação das culturas infantis com a cultura geral __ as instituições de ensino como ambiente privilegiado de interação.
Um paradigma comum nas instituições de ensino de educação infantil é a valorização de uma tradição conteudista, preocupada com os conteúdos que deverão ser trabalhados com a criança, isto é o conhecimento já institucionalizado que deverá ser repassado às mesmas em detrimento de um conhecimento criado com e junto às crianças. Não existe uma preocupação em conhecer as crianças com as quais nos relacionamos, em identificar suas manifestações culturais. É inegável que os conteúdos a serem desenvolvidos com a criança sejam relevantes, porém é preciso lembrar que a criança não é apenas um ser cognitivo, existem outras questões a serem consideradas. É importante considerar a criança e como ela interage com as outras crianças com as quais convive. Como funcionam essas relações. Compreender de fato o universo infantil e romper com a pedagogia escolar enraizada nas instituições de ensino. Ainda que a criança deva sim ser orientada, não podemos perder de vista que é um ser cônscio e capaz de consumir e produzir cultura numa profunda interação com o meio.
Compreendendo-se as crianças como atores sociais ativos e não mais como sujeitos incompletos ou como complementos a sociedade adulta, implica reconhecer sua capacidade de produção simbólica, constituição de manifestações, representações e crenças em sistemas organizados, ou seja, em culturas. Sarmento e Pinto (1997) questionam se as culturas das crianças são um sistema de construção de conhecimento e apreensão do mundo especifico delas e, portanto diferente dos adultos, e se é possível falar em autonomia das culturas infantis. Entretanto como sabemos a infância caracteriza-se por sua não universalidade, o mundo infantil é profundamente heterogêneo, existindo uma pluralidade de sistema de valores, de crenças e representações sociais das crianças, por isso defendem a ideia da existência não de uma cultura da infância, mas sim uma pluralidade de sistemas simbólicos, ou seja, culturas das crianças ou culturas infantis.
Os autores citados ainda enfatizam a controvérsia sobre a questão da autonomia infantil, não mais se as crianças produzem significações autônomas e sim se essas significações se se estruturam e consolidam-se em culturas da infância. As culturas da infância possuem ainda dimensões relacionais, ou seja, relações entre seus pares e com os adultos. As crianças exprimem a cultura social a qual estão inseridas, mas de forma especificamente infantil de representação e simbolização do mundo, leia-se aqui infantil como característico da infância e não como algo menor ou inferior, as culturas da infância relacionam-se com a cultura vigente de forma toda própria e característica. É preciso enfatizar que as crianças vivem em uma sociedade que produz culturas, convivendo e interagindo com suas várias facetas, uma cultura geral podemos dizer, e também são produtoras de elementos culturais próprios (específicos da infância) quando percebemos sua forma de se relacionar com a cultura representada pelo adulto. As culturas infantis não nascem no universo simbólico exclusivo da infância até porque tal universo não é fechado antes é extremamente permeável; nem são alheias a reflexibilidade social global. Os grupos infantis não produzem cultura no vácuo social, bem como não tem uma autonomia completa nesse processo de socialização. Dentro dessa visão a instituição educacional passa a ser o “espaço privilegiado” das sociabilidades humanas, espaços para produção, de equilíbrio e conflito. É importante entender que não e pretende departamentalizar a produção cultural das crianças, num sentido de oposição ou dicotomização entre adultos e crianças. Não se pretende isolar a criança, desprezando sua interação com o meio social em que está instalado, não afirmamos que existem culturas infantis separadas do mundo cultural dos adultos, mas entender o que está presente na relação entre crianças.
Percebemos, portanto a necessidade de compreender e valorizar as culturas infantis e propiciar que a instituição de ensino de fato seja esse ambiente privilegiado de troca e interação cultural, entre as diferentes culturas infantis e a cultura geral adulta numa relação de repeito mútuo. 

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Oficinas Pedagógicas - Utilização de tablet e Smartphone











Considerações sobre o significado da infância


Discutimos em sala o texto Noção de criança e infância: diálogos, reflexões, interlocuções de Michele Guedes Bredel de Castro, destacamos os seguintes pontos: O significado da infância, o novo olhar da infância e as várias infâncias e o rompimento com o adultocentrismo.
Há de se entender, entretanto uma diferença de significação entre os termos infância e criança, infância evoca um fase, um período da vida humana, a palavra infância em si evoca um período onde a pessoa seja incapaz de falar, de se expressar. Já o termo criança indica uma realidade psicobiológica. Essa impossibilidade de falar, de usar a Língua como forma de expressão traz em si toda uma carga preconceituosa que remonta o pensamento de Santo Agostinho, para ele a criança como fruto do pecado carnal dos pais, e incapaz de se expressar, não possuía a racionalidade, atributo oriundo de Deus. Ela, pois deveria ser educada, purgada, purificada e condicionada a se afastar de seus desejos inerentemente libidinosos e pecaminosos, deixando sua natureza diabólica e aproximando-se de Deus, isto é da razão, própria dos adultos.
Hoje, entretanto, não é esse o olhar que temos da infância, ainda que resquícios dessas visões permaneçam, haja vista as práticas adultocentristas ainda comuns, hoje estudamos a infância dentro de uma perspectiva social, não desprezando os aspectos universais e biológicos, mas também se entendendo a infância como uma condição historicamente construída. Chariot nos alerta que o estudo da infância numa perspectiva social, revela-nos uma imagem que se altera conforme os diferentes sistemas filosóficos e pedagógicos considerados, ou seja, a representação da infância é socialmente determinada, exprimindo as aspirações e negações dessa mesma sociedade. Tal representação, entretanto, não é um dado natural ainda que biologicamente a infância o seja. Temos, portanto duas infâncias que coexistem, a biológica e a socialmente construída, e podemos ainda afirmar que ambas caminham em ritmos distintos.
Os modernos estudos entre eles a sociologia da infância vem rompendo esse adultocentrismo, e defendendo o fato que as crianças não são atores passivos e sim atores ativos dentro da sociedade, necessita-se, pois estudar a infância por si própria, entendendo a criança como ser social, histórico e produtor de cultura. Além disso, esses estudos admitem a existência de múltiplas infâncias desprezando uma concepção uniformizadora e irreal, entendendo que a criança enquanto ser social diversifica-se nos diferentes estratos sociais: classe social, etnia, gênero, lugar do planeta onde vivem, sendo afetadas e transformadas por essas diferenças. Não existirá, pois infâncias iguais e indo mais longe não existirão duas crianças que vivenciem a infância da mesma forma. 
Percebemos portanto a importância de compreender a relação da Língua com a construção do conhecimento e construção de mundo, e como essa relação modifica nossa relação com o dito mundo real. As diferentes visões de infância alteram nossa forma de contato com a criança e em consequência nossa maneira de ensinar.

terça-feira, 20 de maio de 2014

A Linguagem e a Concepção da Infância

        A mudança no paradigma da concepção da infância abriu novas possibilidades na produção cultural destinadas a esse público. Ao compreender a criança como ser autônomo produtor e consumidor de Cultura algumas questões tornam-se relevantes.
         A interação com o outro enquanto mediada pela linguagem é de suma importância no sentido de que hoje se entende que a linguagem como um processo extremamente complexo no qual o sujeito se constrói e é construído através delas. Ou seja, é através do uso da língua que o sujeito produz o significante, sendo o significante um sistema de elementos que atribui significado uns aos outros não guardando, porém significados em si mesmos. Em outras palavras o ser existe porque foi falado antes de existir, a Língua verdadeiramente dá significado e nos insere no mundo real. Isso é particularmente verdadeiro ao considerarmos o contato entre povos com línguas distintas, ou para citar um exemplo à palavra “saudade” existe somente em Língua Portuguesa, o que nos leva a conclusão que o sentimento saudade tal qual nós o compreendemos só pode ser sentido da forma pela qual o compreendemos pelos falantes deste idioma, outros povos tem conceitos similares, porém uma tentativa de explicação em outro idioma forçosamente levará a uma aproximação. Outro exemplo é a palavra “friend”, traduzida em Português como “amigo”, porém o conceito de friend em Inglês é muito mais restrito e íntimo do que o conceito similar amigo, o compreendemos de formas totalmente distintas. Literalmente a Língua cria e recria nosso mundo e a forma pela qual o compreendemos e interagimos com ele.
         Isso nos leva ao segundo ponto importante a ser considerado, a própria concepção de infância mudou através dos tempos e entre as diferentes culturas é compreendida de forma diversa, não existindo, pois somente uma criança, mas muitas cada uma delas concordando com o que cremos que elas são ou deveriam ser e algumas bastante distantes da criança “real”. Certo que o próprio conceito de criança “real” seja em si mesmo uma abstração. É impossível contatar a realidade, ou se pensarmos, por exemplo, em Berkeley ela simplesmente não existe. Dito isso sabemos que temos a criança reprodutora de conhecimentos, ser incompleto e frágil qual deve ser educado e condicionado, a criança de Locke ou behaviorista; temos a criança idealizada e inocente, resquício dos anos dourados ou da “melhor parte da vida”, a criança de Rousseau; ainda temos a criança “natural”, aquela vista enquanto parte de um processo natural de desenvolvimento e maturação rumo à idade adulta, processo esse totalmente independente do contexto sociocultural, é a criança darwinista. Essas três visões se assemelham ao enxergar a criança como um ser frágil, delicado, entretanto novas visões têm surgido. Hoje temos a criança enquanto sujeito, dotada de desejos, direitos e peculiaridades as quais podem e devem ser respeitadas, é a criança fruto a visão interacionista e psicanalítica.
        A atual visão da criança enquanto sujeito formador e criador de Cultura, também em constante interação com o meio em que vive nos leva a repensar papel do professor dentro desse processo, Vygotsky nos alerta para o papel mediador do professor enquanto aquele dotado do conhecimento cientifico, como aquele que mediara o contato da criança com a Cultura vigente. Cônscio desse papel importantíssimo o professor necessita ter seu próprio referencial, sua própria bagagem cultural, não conhecendo a Cultura como poderá mediar? E mais como poderá propiciar trocas qualitativas se nada tem a oferecer? Certo que o profissional nunca deverá impor sua bagagem cultural à criança e sim através da interação com a mesma permiti-la construir e ampliar sua própria bagagem. Resta ainda afirmar que este processo é de mão dupla o professor media, apresenta e também recebe o conhecimento trazido pela criança de forma que ambos crescem nessa interação.

Reflexões sobre o texto Produção cultural para crianças: a mediação possivel do professor de Maria Aparecida Lucca Paranhos.

sábado, 26 de abril de 2014

Apenas observações

Motivado pela Semana Santa procurei ponderar ao máximo nos últimos dias, evitando assim qualquer juízo de valor e desgastes desnecessários, e poder contemplar esta semana de oração.

Mas, Como sempre existe um mas! Aquilo que seria apenas oração e ponderação virou observação e acabei exercitando algo que um professor pelo qual tenho muita estima disse: “toda pesquisa nasce do exercício da observação, da quantificação e da qualificação dos dados obtidos e/ou capturados. Feito isso qualifique e disserte sobre”. Se não foi isso, foi quase isso.

No período de 12/04/14 a 17/04/14, foram observadas 350 pessoas sendo 256 mulheres (73,14%) e 94 homens (26,86%), e foram observadas coisas simples como: quantas pessoas faziam uso de cortesia (olá, bom dia, boa tarde, boa noite e obrigado), solicitação de orientações e dificuldades na aplicação do que foi orientado.

Pode ser verificado que apenas 85 pessoas fizeram uso da cortesia, e desta parcela 15 necessitaram de algum auxílio meu ou de algum colega, e apenas 3 destes tiveram alguma dificuldade em executar o que foi orientado.

Do outro lado, pode-se observar 265 pessoas que não fizeram uso da cortesia, e desta parcela 120 necessitaram de algum auxílio meu ou de algum colega, e 84 pessoas deste total tiveram alguma dificuldade em executar o que foi orientado.

Creio que o objeto estudado já deve ter passado pela cabeça de alguém em mensurar quantas pessoas abrem mão da cortesia, da gentileza e/ou humildade nas relações cotidianas ou só fazem uso destas práticas por mero utilitarismo. E após esta minúscula observação sinto minhas impressões endossadas a sobre a autonomia de elevado nível de educação e intelectualidade da pequena parcela de usuários desta prática tão simples de se ensinar, e mais simples ainda de se aprender.

Seja gentil de forma gratuita e faça da sua vida algo mais bonito de se contemplar e mais prazeroso de se envolver.

Adilson França