quarta-feira, 21 de maio de 2014

Considerações sobre o significado da infância


Discutimos em sala o texto Noção de criança e infância: diálogos, reflexões, interlocuções de Michele Guedes Bredel de Castro, destacamos os seguintes pontos: O significado da infância, o novo olhar da infância e as várias infâncias e o rompimento com o adultocentrismo.
Há de se entender, entretanto uma diferença de significação entre os termos infância e criança, infância evoca um fase, um período da vida humana, a palavra infância em si evoca um período onde a pessoa seja incapaz de falar, de se expressar. Já o termo criança indica uma realidade psicobiológica. Essa impossibilidade de falar, de usar a Língua como forma de expressão traz em si toda uma carga preconceituosa que remonta o pensamento de Santo Agostinho, para ele a criança como fruto do pecado carnal dos pais, e incapaz de se expressar, não possuía a racionalidade, atributo oriundo de Deus. Ela, pois deveria ser educada, purgada, purificada e condicionada a se afastar de seus desejos inerentemente libidinosos e pecaminosos, deixando sua natureza diabólica e aproximando-se de Deus, isto é da razão, própria dos adultos.
Hoje, entretanto, não é esse o olhar que temos da infância, ainda que resquícios dessas visões permaneçam, haja vista as práticas adultocentristas ainda comuns, hoje estudamos a infância dentro de uma perspectiva social, não desprezando os aspectos universais e biológicos, mas também se entendendo a infância como uma condição historicamente construída. Chariot nos alerta que o estudo da infância numa perspectiva social, revela-nos uma imagem que se altera conforme os diferentes sistemas filosóficos e pedagógicos considerados, ou seja, a representação da infância é socialmente determinada, exprimindo as aspirações e negações dessa mesma sociedade. Tal representação, entretanto, não é um dado natural ainda que biologicamente a infância o seja. Temos, portanto duas infâncias que coexistem, a biológica e a socialmente construída, e podemos ainda afirmar que ambas caminham em ritmos distintos.
Os modernos estudos entre eles a sociologia da infância vem rompendo esse adultocentrismo, e defendendo o fato que as crianças não são atores passivos e sim atores ativos dentro da sociedade, necessita-se, pois estudar a infância por si própria, entendendo a criança como ser social, histórico e produtor de cultura. Além disso, esses estudos admitem a existência de múltiplas infâncias desprezando uma concepção uniformizadora e irreal, entendendo que a criança enquanto ser social diversifica-se nos diferentes estratos sociais: classe social, etnia, gênero, lugar do planeta onde vivem, sendo afetadas e transformadas por essas diferenças. Não existirá, pois infâncias iguais e indo mais longe não existirão duas crianças que vivenciem a infância da mesma forma. 
Percebemos portanto a importância de compreender a relação da Língua com a construção do conhecimento e construção de mundo, e como essa relação modifica nossa relação com o dito mundo real. As diferentes visões de infância alteram nossa forma de contato com a criança e em consequência nossa maneira de ensinar.

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