A mudança no paradigma da concepção da infância abriu novas possibilidades na produção cultural destinadas a esse público. Ao compreender a criança como ser autônomo produtor e consumidor de Cultura algumas questões tornam-se relevantes.
A interação com o outro enquanto mediada pela linguagem é de suma importância no sentido de que hoje se entende que a linguagem como um processo extremamente complexo no qual o sujeito se constrói e é construído através delas. Ou seja, é através do uso da língua que o sujeito produz o significante, sendo o significante um sistema de elementos que atribui significado uns aos outros não guardando, porém significados em si mesmos. Em outras palavras o ser existe porque foi falado antes de existir, a Língua verdadeiramente dá significado e nos insere no mundo real. Isso é particularmente verdadeiro ao considerarmos o contato entre povos com línguas distintas, ou para citar um exemplo à palavra “saudade” existe somente em Língua Portuguesa, o que nos leva a conclusão que o sentimento saudade tal qual nós o compreendemos só pode ser sentido da forma pela qual o compreendemos pelos falantes deste idioma, outros povos tem conceitos similares, porém uma tentativa de explicação em outro idioma forçosamente levará a uma aproximação. Outro exemplo é a palavra “friend”, traduzida em Português como “amigo”, porém o conceito de friend em Inglês é muito mais restrito e íntimo do que o conceito similar amigo, o compreendemos de formas totalmente distintas. Literalmente a Língua cria e recria nosso mundo e a forma pela qual o compreendemos e interagimos com ele.
Isso nos leva ao segundo ponto importante a ser considerado, a própria concepção de infância mudou através dos tempos e entre as diferentes culturas é compreendida de forma diversa, não existindo, pois somente uma criança, mas muitas cada uma delas concordando com o que cremos que elas são ou deveriam ser e algumas bastante distantes da criança “real”. Certo que o próprio conceito de criança “real” seja em si mesmo uma abstração. É impossível contatar a realidade, ou se pensarmos, por exemplo, em Berkeley ela simplesmente não existe. Dito isso sabemos que temos a criança reprodutora de conhecimentos, ser incompleto e frágil qual deve ser educado e condicionado, a criança de Locke ou behaviorista; temos a criança idealizada e inocente, resquício dos anos dourados ou da “melhor parte da vida”, a criança de Rousseau; ainda temos a criança “natural”, aquela vista enquanto parte de um processo natural de desenvolvimento e maturação rumo à idade adulta, processo esse totalmente independente do contexto sociocultural, é a criança darwinista. Essas três visões se assemelham ao enxergar a criança como um ser frágil, delicado, entretanto novas visões têm surgido. Hoje temos a criança enquanto sujeito, dotada de desejos, direitos e peculiaridades as quais podem e devem ser respeitadas, é a criança fruto a visão interacionista e psicanalítica.
A atual visão da criança enquanto sujeito formador e criador de Cultura, também em constante interação com o meio em que vive nos leva a repensar papel do professor dentro desse processo, Vygotsky nos alerta para o papel mediador do professor enquanto aquele dotado do conhecimento cientifico, como aquele que mediara o contato da criança com a Cultura vigente. Cônscio desse papel importantíssimo o professor necessita ter seu próprio referencial, sua própria bagagem cultural, não conhecendo a Cultura como poderá mediar? E mais como poderá propiciar trocas qualitativas se nada tem a oferecer? Certo que o profissional nunca deverá impor sua bagagem cultural à criança e sim através da interação com a mesma permiti-la construir e ampliar sua própria bagagem. Resta ainda afirmar que este processo é de mão dupla o professor media, apresenta e também recebe o conhecimento trazido pela criança de forma que ambos crescem nessa interação.
Reflexões sobre o texto Produção cultural para crianças: a mediação possivel do professor de Maria Aparecida Lucca Paranhos.
A interação com o outro enquanto mediada pela linguagem é de suma importância no sentido de que hoje se entende que a linguagem como um processo extremamente complexo no qual o sujeito se constrói e é construído através delas. Ou seja, é através do uso da língua que o sujeito produz o significante, sendo o significante um sistema de elementos que atribui significado uns aos outros não guardando, porém significados em si mesmos. Em outras palavras o ser existe porque foi falado antes de existir, a Língua verdadeiramente dá significado e nos insere no mundo real. Isso é particularmente verdadeiro ao considerarmos o contato entre povos com línguas distintas, ou para citar um exemplo à palavra “saudade” existe somente em Língua Portuguesa, o que nos leva a conclusão que o sentimento saudade tal qual nós o compreendemos só pode ser sentido da forma pela qual o compreendemos pelos falantes deste idioma, outros povos tem conceitos similares, porém uma tentativa de explicação em outro idioma forçosamente levará a uma aproximação. Outro exemplo é a palavra “friend”, traduzida em Português como “amigo”, porém o conceito de friend em Inglês é muito mais restrito e íntimo do que o conceito similar amigo, o compreendemos de formas totalmente distintas. Literalmente a Língua cria e recria nosso mundo e a forma pela qual o compreendemos e interagimos com ele.
Isso nos leva ao segundo ponto importante a ser considerado, a própria concepção de infância mudou através dos tempos e entre as diferentes culturas é compreendida de forma diversa, não existindo, pois somente uma criança, mas muitas cada uma delas concordando com o que cremos que elas são ou deveriam ser e algumas bastante distantes da criança “real”. Certo que o próprio conceito de criança “real” seja em si mesmo uma abstração. É impossível contatar a realidade, ou se pensarmos, por exemplo, em Berkeley ela simplesmente não existe. Dito isso sabemos que temos a criança reprodutora de conhecimentos, ser incompleto e frágil qual deve ser educado e condicionado, a criança de Locke ou behaviorista; temos a criança idealizada e inocente, resquício dos anos dourados ou da “melhor parte da vida”, a criança de Rousseau; ainda temos a criança “natural”, aquela vista enquanto parte de um processo natural de desenvolvimento e maturação rumo à idade adulta, processo esse totalmente independente do contexto sociocultural, é a criança darwinista. Essas três visões se assemelham ao enxergar a criança como um ser frágil, delicado, entretanto novas visões têm surgido. Hoje temos a criança enquanto sujeito, dotada de desejos, direitos e peculiaridades as quais podem e devem ser respeitadas, é a criança fruto a visão interacionista e psicanalítica.
A atual visão da criança enquanto sujeito formador e criador de Cultura, também em constante interação com o meio em que vive nos leva a repensar papel do professor dentro desse processo, Vygotsky nos alerta para o papel mediador do professor enquanto aquele dotado do conhecimento cientifico, como aquele que mediara o contato da criança com a Cultura vigente. Cônscio desse papel importantíssimo o professor necessita ter seu próprio referencial, sua própria bagagem cultural, não conhecendo a Cultura como poderá mediar? E mais como poderá propiciar trocas qualitativas se nada tem a oferecer? Certo que o profissional nunca deverá impor sua bagagem cultural à criança e sim através da interação com a mesma permiti-la construir e ampliar sua própria bagagem. Resta ainda afirmar que este processo é de mão dupla o professor media, apresenta e também recebe o conhecimento trazido pela criança de forma que ambos crescem nessa interação.
Reflexões sobre o texto Produção cultural para crianças: a mediação possivel do professor de Maria Aparecida Lucca Paranhos.
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